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(RE)Ocupando nossas cozinhas

Sabemos que quem mais sofreu os impactos da pandemia foram nós mulheres, que além de lidar com o acúmulo de funções domésticas ainda tivemos que lidar com demissões, separações, e problemas dos filhos que fora da escola já apresentam sinais de depressão e ganho de peso.

Claro que as realidades femininas são completamente distintas umas das outras, principalmente se compararmos a mãe de periferia com a mãe do “asfalto” – que na pior das hipóteses acumulou funções porque não teve funcionária limpando a casa ou cuidando dos filhos. Independentemente do cenário, não é fácil para ninguém, e a precisamos começar a escolher quais batalhas lutaremos.

Digo isso porque vejo que cozinhar a própria comida e a comida dos filhos virou um fardo ou uma coisa no final da lista de prioridades de muitas pessoas – vejam, eu não disse mulheres. Não acho que cozinhar seja uma tarefa da mulher, mas diferente de limpar casa ou cuidar dos filhos – cozinhar exige um mínimo de vontade e envolvimento de quem vai executar. 

Como as famílias vão se organizar eu não sei, por aqui durante meses fiz um exercício de consciência para tirar o estigma de que cozinhar é um fardo e me propus a ser dona dessa tarefa (já que fui eu que plantei a semente da “comida de verdade” na família), enquanto meu marido cuida da criança, tira o lixo, lava louça etc.

Alimentação, também independentemente de classe, precisa virar prioridade na vida das pessoas. Digo isso sabendo que muito provavelmente não vai virar, pois a indústria alimentícia está aí investindo milhões para que isso não aconteça – mas se minha proposta de reflexão conseguir atingir meia dúzia de pessoas já fico feliz. Comer mal é a base de uma vida infeliz e mais uma vez, independentemente de classe, é muito fácil ver isso. Vejo crianças ricas virando obesas e crianças pobres felizes correndo, vivendo na abundância, como diria minha amiga Debs Aquino. Como explicar?

A verdade é que comer bem depende mais de boa vontade e empenho do que de orçamento. Arroz, feijão, legumes e carne está longe de custar o que um alimento processado e embalado custa – mas custa tempo, dedicação e outras coisas que nós mulheres não queremos mais despender, pois estamos ocupadas trabalhando 16h por dia. Acho que vale uma reflexão, principalmente porque o tempo está passando enquanto o índice de obesidade vai aumentando. First things first. Comer bem poupa dinheiro e poupa saúde, infelizmente o governo não investe neste tipo de educação porque não é interessante para a indústria, por isso acredito muito que a própria sociedade precisa começar a se movimentar para levar esse discurso à diante.

Mulheres, não fiquem com raiva de mim. Eu sei que tá difícil pra todo mundo, mas sobrepeso, falta de disposição, doenças crônicas e problemas psicológicos (oi, óleos vegetais!) podem tornar tudo ainda pior.

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